Entre muitas mensagens que circulam na internet, algumas realmente são emocionantes e marcam quando lemos, não é? Não sei se porque nos identificamos com o texto, ou se é porque é realmente emocionante... Li outro dia uma mensagem que é uma carta, como se fosse escrita por um recém nascido. Me fez enxergar minha filha (já não mais recém nascida) com outros olhos e saber inclusive entender alguns momentos que passamos com estes pequenos.
Vou compartilhar aqui...
Querida mamãe,
Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia
barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim.
Coloquei a boca no trombone e você apareceu. Ainda bem.Fiquei tão feliz no calor
do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava.
Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo. Mas não tente
negar, você estava com pressa para ir dormir outra vez.Você me deu de mamar
novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda.
Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos, tão legal que eu perdi o
sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu
me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos
ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa
e até chamou o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das
contas, acordei a casa inteira cinco vezes.Pela manhã, nossa família estava com
cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você chegou a
dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me
dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo. Os
adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas de
relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer.Quando meu corpo está com
o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três
meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e que eu sou outra. Um
dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la doida para saber o que
ando fazendo e, então, você vai entender como me sinto agora.Mas não precisamos
dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos entender, inclusive pelas palavras.
Sinto a angústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência. Você
também, mas vive tudo isso como uma adulta consciente. Eu ainda estou vivendo
no inconsciente. Eu não sei nada, tudo é tão novo para mim aqui fora. Mas eu
tenho absoluta certeza de que eu vou aprender tudinho o que você me ensinar por
seus sentimentos em relação a mim.Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando
eu chorar à noite, não salta logo para o meu quarto desesperada como se o mundo
fosse acabar. Espere um pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que
ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar.
Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para
eu mamar.Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência pois, nós bebês,
somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com
pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar o meu segundo
suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas ficarem
bem molenguinhas, aí sim, pode me colocar de volta no berço que eu não acordo
antes de sentir fome outra vez.À medida que você desenvolver sua paciência,
mamãe, eu estarei desenvolvendo a minha tranqüilidade e nós não teremos mais
noites infernais. Apenas noites de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo
na vida...
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