Sempe trabalhei fora, desde os meus 17 anos. E sempre lutei para isso. Não por necessidade, mas porque o trabalho me preenche, me completa, me faz sentir bem e útil.
Sempre critiquei as mães que, com a chegada dos bebês, abandona sua vida para ficar anos por conta exclusivamente da criança.
Mas quando a gente fala sem viver é fácil.
Agora estou do outro lado. Com minha filha pequena, de apenas três meses e pensando no que fazer quando completarem os fatídicos 4 meses de licença maternidade. Minha sorte é que trabalhei até o último dia antes do nascimento dela.
Tenho algumas vantagens, não vou negar! Posso trabalhar apenas meio período, posso levá-la comigo de vez em quando... Por outro lado, ainda tenho parte do serviço sendo feita em casa, durante meu afastamento. Por opção minha também, devo admitir. Não é muito, mas tenho uma distração a mais.
A questão é que assim como a maioria das mulheres neste momento da vida, eu também não quero deixar minha Princesa com ninguém para retornar ao trabalho. Também não quero que ela tenha que ir comigo todos os dias porque não acho saudável. E eis que estou neste dilema!
A questão maior ainda é: trabalho na mesma empresa desde os meus 17 anos. Ou seja: há 12 anos. É também uma empresa familiar e, além dos problemas do trabalho, aguento os problemas familiares envolvidos, misturados e mexidos. Não há diferença de problemas de casa e problemas de trabalho. E no fim, vira uma salada: discute-se trabalho em casa e casa no trabalho. Nunca gostei dessa mistureba, mas quando tento pedir para separar, acaba dando briga.
E aí, em meio à tudo isso... eu entrei numa questão que a cada dia me angustia mais. E o que me deixa mais mexida ainda é que eu sempre fui apaixonada pelo meu trabalho, pela empresa, por tudo o que pude fazer e faço ainda por ela. Fiz duas faculdades na minha área, de tanto que gosto. Já trabalhei em todos os cargos da empresa: de atendente de recepção à diretoria. Gosto dela como gosto da minha casa.Cresci ali dentro, foi minha base, meu exemplo.
Mas hoje... quase três meses afastada, começo a perceber que não quero mais a mistureba de problemas família X trabalho. Não estou tão a fim dos mesmos problemas, histórias, discussões, muito se fala pouco se faz. Talvez seja o momento zen que estou vivendo que está me causando todos estes sentimentos. Talvez seja o meu "medo" de deixar minha Princesa que me faz não querer voltar.
Sei que, em meio a tudo isso, a este turbilhão de sentimentos, emoções, novas aprendizagens, etc., trago à tona novamente a ideia de uma nova empresa, algo mais light, mais a ver comigo, mais tranquilo, sem tantas responsabilidades. Talvez com artesanato ou beleza, áreas que adoooro e que hoje, faço e aprendo por hobby.
Embora o meu emprego hoje seja um amor sem medidas, estou pensando mais em um trabalho por lazer. Algo que dê sim um dinheiro, mas que eu faça mais descontraída. Não que seja menos responsável, mas que una trabalho, diversão, tempo mais tranquilo e um pouco mais de liberdade. Acho que é isso que quero.
A questão maior é: este é um bom momento para iniciar um negócio? Com uma criança pequena? Será que vou conseguir me dedicar aos dois? Será que o início vai ser tão "light" como imagino que seja com a empesa já funcionando legal?
Só o que sei é que não quero ser mais uma destas mulheres que abandonam suas vidas, emprego, tudo, para ficar por conta das crianças. Hoje não mais as critico como fiz um dia. Eu as entendo e respeito pois estou sentindo na pele como é difícil retomar. Quero ter uma ocupação, mas quero que minha filha possa participar comigo. Quero ser a primeira a vê-la falar, andar, sorrir. Não quero deixar estes melhores momentos para as avós ou mesmo para uma babá...
E aí, fazer o quê neste momento?
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